A vantagem governista nas eleições de 2012

A vantagem governista nas eleições de 2012



A vantagem governista nas eleições de 2012

Existe um conservadorismo na lógica eleitoral que geralmente dá ao candidato do governo uma grande vantagem, seja na reeleição ou na sucessão. Essa vantagem que geralmente é atribuída exclusivamente ao uso da máquina na campanha deve ser compreendida pela lógica da continuidade, um fator estratégico que deve ser bem compreendido. Por isso, as pesquisas de clima que analisam a opinião dos eleitores em relação ao governo são tão essenciais para a definição das ações pré-eleitorais.

Essa lógica é simples. Um governo com boa avaliação, que tenha recebido, por exemplo, 60% de ótimo e bom dificilmente irá perder a eleição pelo simples fato da população não querer mudar o que está dando certo.

Ao analisar, através de pesquisas, que o governo é bem avaliado, a oposição não terá outra opção a não ser fazer uma campanha governista. Ou seja, terá que se comprometer a dar continuidade ao que o governo está fazendo de bom. Assim, quando a oposição se compromete a dar continuidade ao que o governo está fazendo de correto já ocorre certa legitimação do governo, o que contribui ainda mais para a campanha governista.

Foi o caso do candidato José Serra na última eleição presidencial. Em vários momentos da campanha teve que se comprometer a dar continuidade aos programas do governo Lula, afinal o governo antecessor tinha cerca de 75% de aprovação. Serra não perdeu porque Lula foi capaz de transferir votos para Dilma, mas porque Dilma representava a continuidade do governo Lula.

A mesma lógica também vale para quando o candidato é mal avaliado. Quando um governo é mal avaliado as chances de vitória vão facilmente parar no colo da oposição. O candidato do governo, nesse caso, não poderá sair nem ter a cara do governo. Em 2002 não dava para o Serra, que havia sido ministro de Estado, se afastar do governo. Porém, em São João de Meriti, em 2004, Uzias Mocotó, candidato de um governo mal avaliado e do mesmo partido do então prefeito conseguiu se eleger. Como isso aconteceu? Todas as pesquisas mostravam que o candidato nada tinha a ver com o governo. Era governo na política, mas não era na imagem.

Isso demonstra que a pesquisa e a estratégia são fundamentais para posicionar a campanha e avaliar as reais chances do candidato.  Sem uma estratégia bem fundamentada o trabalho de comunicação será em vão, por melhor que seja.  Não se pode mudar a cabeça do eleitor e não é uma “caixa de surpresas” como muitos acham, segue uma lógica coerente.

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